Para o Corinthians, 2010 já começou
Problema comum de vencedores da Copa do Brasil (ou mesmo finalistas da Libertadores), o ano acaba quando o calendário mostra junho ainda.
E foi isso o que aconteceu com o Corinthians esse ano, uma normal e compreensível acomodação após um primeiro semestre primoroso, jogando muito bem e inovando com um esquema tático com três atacantes, sendo dois deles nas pontas e um para definir no centro do campo.
Porém, e aí a torcida deveria perceber e dar uma folga aos atletas, é muito difícil manter a concentração necessária quando a grande meta do ano já foi atingida e a próxima meta nem começou ainda.
O ano de 2010 para o Corinthans começou em Porto Alegre, no apito final do jogo contra o Inter, e irá acabar quando o time encerrar sua participação na Libertadores ano que vem, seja em qual fase for. Caso a eliminação do timão seja antes das quartas de final a crise vai bater no Parque São Jorge, caso seja campeão só pensará no Mundial de Clubes em dezembro. Ou seja, os meses de junho a novembro de 2010 devem ser bem parecidos com os desse ano.
Portanto Mano Menezes deveria realmente testar o quanto puder em jogos oficiais ainda este ano, para saber com quem poderá contar em 2010, quais meias serão úteis em jogos de pressão fora de casa, quais defensores não pipocarão contra ataques violentos de equipes sul-americanas. Além de variações ao agora manjado esquema de três atacantes, com Ronaldo no meio.
Agora é tempo de copiar 2008, quando o time de 2009 foi montado e acabou bem sucedido, de novo.
Vacilo tricolor
Ao deixar de ganhar dois pontos importantes ontem, o São Paulo pode ter dificultado muito sua trajetória ao tetra. O Santo André é um time fraco, cheio de jogadores em final de carreira e que tem apenas duas jogadas, a bola parada de Marcelinho e a correria de Escobar, autor do gol andreense ontem.
Ao Palmeiras, grande beneficiado da rodada mesmo sem jogar ainda, resta conseguir ao menos um empate contra o Cruzeiro, caso consiga os três pontos porém dá um grande salto em busca do título.
O monstro Miranda
Vendo alguns jogos do São Paulo nos últimos anos fica claro a segurança da defesa tricolor.
Além de Rogério Ceni, que já teve fases melhores mas conta com a confiança dos jogadores e da torcida, Miranda intimida e marca muito bem os atacantes rivais.
Sua presença intimida alguns avançados, desarmes precisos e saídas de bola com muita qualidade o levaram ao grupo da Seleção, porém ainda com pouco tempo de jogo não deve se considerar confirmado para a Copa do Mundo.
Conseguindo manter este jogador, apesar de propostas muito altas de times europeus, o São Paulo confirma que continuará com o equilibrado time que fez um bom primeiro turno e pode duelar com o Palmeiras pelo título até o final do ano.
Concordo com Lippi
Para mim a Juventus será a campeã italiana.
A Inter não tem um meia de qualidade, mesmo se contratar Sneijder, e isso faz muita falta no elenco de Mourinho. Mancini poderia resolver o problema se tivesse continuidade, ou Deco se aceitasse se reunir ao técnico português, mas não parecem alternativas válidas em Milão.
O Milan é um time em formação, novas peças na defesa e um novo “dono do time” devem gerar altos e baixos aos rubro-negros. Se Leonardo conseguir levar o time diretamente à próxima Champions será uma vitória.
Já a Juve já tem um time base montado, com a adição de Felipe Melo (meu Deus!!) e Diego se completa uma sólida equipe na defesa, um bom meio e ótimo ataque, já que considero Amauri e Iaquinta uma das melhores duplas da Europa. Resta saber se o time de Ferrara conseguirá sobreviver à pressão da Inter nos jogos cruciais.
Não acredito nas chances de Fiorentina, Roma ou Lazio, outro resultado de título que não Inter ou Juve seria muita surpresa na minha opini~]ao. E as três (a Itália deve perder uma vaga na próxima Champions) vagas na Champions devem ficar mesmo com os dois postulantes e o Milan. Os três outros bons times brigam pela Liga Europa.
A escolha de Liédson e Amauri
Dois bons atacantes devem estrear por selecionados europeus ainda este ano.
Amauri já é cidadão italiano, aguarda um chamado do técnico Lippi para defender o selecionado italiano, país que o adotou e onde ele fez fama no futebol.
Já o trâmite de Liédson está com o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, que prometeu apressar a naturalização do atacante a tempo de salvar a classificação dos “gajos” para a próxima Copa do Mundo, ainda assim considero improvável que aconteça.
São dois bons atacantes, um forjado praticamente na Europa, outro que teve relativo sucesso em clubes nacionais, que seriam boas opções para Dunga, se não para começarem pelo menos para o banco, e que teremos o prazer de ver jogar por outros países.
Quando a personalidade derruba uma pessoa
Cuca já demonstrou diversas qualidades desde que iniciou seu caminho como técnico. Bons trabalhos como o do Goiás e do São Paulo o credenciam ao cargos das equipes de ponta no país.
Porém desde a sua saída do Morumbi a carreira de Cuca parece em um desfiladeiro. Ele ainda conseguiu ter relativo sucesso no Botafogo, clube em decadência que luta somente por títulos regionalmente, e conseguiu seu primeiro título este ano na Gávea, mas as acusações de que sua personalidade afetam o desempenho dos clubes por onde passa se sucedem e já criam um estigma enorme ao treinador, vencer a fama de derrotado.
A saída do Flamengo era inevitável e deveria já ter acontecido, Cuca não tinha clima entre os jogadores e a torcida. Que ele aproveite o tempo livre agora para analisar aonde a carreira dele está indo, e quem sabe após uma auto-análise conseguir um emprego fora do Brasil, sair das manchetes negativas daqui também deve fazer bem para ele.
O desmanche do Corinthians
O Corinthians se torna vítima da janela europeia. Primeiro foram que quis sair, André Santos, e quem dava liga ao time, Cristian.
Agora parece que Douglas e Felipe serão despachados para algum clube europeu de segunda linha. Outros que podem deixar o clube, aí mais pela qualidade do que mal relacionamento com equipe, torcida ou dirigentes, seriam Chicão, Elias e Dentinho.
O atacante é sem dúvida o atleta mais valorizado do alvi-negro. Conseguiu sobreviver à queda e subiu como titular absoluto. Agora pode colher os frutos com um bom contrato fora.
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